POLÍTICAS DE AÇÕES AFIRMATIVAS NAS IFES: é possível reformular espaços de poder nas universidades públicas?

Autores

Palavras-chave:

Políticas afirmativas. Permanência étnico-racial. Representação política.

Resumo

Este artigo traz reflexões realizadas no âmbito da pesquisa intitulada “Políticas afirmativas na pós-graduação stricto sensu em educação: acesso, permanência e titulação”. A Lei nº 12.711/2010 é um importante marco normativo no sentido da ampliação do acesso à educação superior de grupos historicamente marginalizados. A ausência de uma política robusta de permanência para cotistas reflete um mau enquadramento da política, pois trata o problema como uma questão de redistribuição e reconhecimento, desconsiderando que a representação também interfere na permanência e na conclusão do curso. Alicerçadas em Fraser (2024), argumenta-se que para garantir a correção das injustiças sociais, não basta redistribuir recursos (como vagas ou bolsas); é necessário reformular as estruturas de poder das instituições para que os grupos marginalizados possam participar ativamente das decisões por meio da criação de mecanismos institucionais que garantam a sua representação nos espaços de poder. A política de cotas, à luz da abordagem cognitiva, revela que se trata de importante passo para a redução das desigualdades sociais, porém ainda subsistem desafios para a inclusão étnico-racial que perpassam não só a democratização do acesso, mas também a permanência, a conclusão dos estudantes e a representação, bem como maiores espaços de escuta. Concluiu-se que é necessária a revisão constante das políticas de permanência para evitar que a inclusão se restrinja ao acesso, sem transformação estrutural nas instituições de ensino, pois o racismo institucional não será superado apenas com redistribuição e reconhecimento, mas exige também uma reconfiguração da representação, tendo o discurso como elemento central na consolidação da representação política e institucional. 

Palavras-chave: Políticas afirmativas. Permanência étnico-racial. Representação política.

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Biografia do Autor

Andréia da Silva Quintanilha Sousa, Universidade Federal de Rondônia

Pós-Doutorados em Educação realizados na Universidade do Algarve/PT (2016), na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2015) e no Observatório da Educação PUC/RS (2009), com ênfase na política de educação superior. Doutorado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2004), Mestrado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte ( 2000), Especialização em Historiografia Colonial ( 1996) pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e Graduação em História pela Universidade Federal de Rondônia (1990). Atualmente professora associada da Universidade Federal de Rondônia lotada provisoriamente no Departamento de Fundamentos e Política da Educação da UFRN.

Emanuelle Lourenço do Nascimento, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Doutora em Educação, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); Professora efetiva da rede municipal de São Gonçalo do Amarante - RN; Participante do Grupo de Pesquisa Análise de Políticas Públicas Intersetorial – GAPPI (UFRN).

Girliany Santiago Soares, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

Doutora em Educação, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); Professora substituta da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN); Participante do Grupo de Pesquisa Análise de Políticas Públicas Intersetorial – GAPPI (UFRN). 

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Recebido em: (data da submissão) dia de mês de ano

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Publicado

2026-01-05

Como Citar

DA SILVA QUINTANILHA SOUSA, A.; LOURENÇO DO NASCIMENTO, E.; SANTIAGO SOARES, G. POLÍTICAS DE AÇÕES AFIRMATIVAS NAS IFES: é possível reformular espaços de poder nas universidades públicas?. Revista Exitus, [S. l.], v. 16, n. 1, p. e026005, 2026. DOI: 10.24065/re.v16i1.2920. Disponível em: https://portaldeperiodicos.ufopa.edu.br/index.php/revistaexitus/article/view/2920. Acesso em: 12 fev. 2026.

Edição

Seção

Dossiê