PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA E EMPRESARIAMENTO DA EDUCAÇÃO: o Programa Suzano de Educação e a pedagogia do agronegócio no extremo sul da Bahia
DOI:
https://doi.org/10.24065/re.v16i1.3115Palavras-chave:
parceria público-privada;, empresariamento da educação, Arranjo de Desenvolvimento da Educação (ADE), agronegócio, programa Suzano de Educação (PSE).Resumo
O presente artigo analisa a parceria público-privada estabelecida entre a empresa multinacional Suzano S.A. e as secretarias municipais de educação integrantes do Território de Identidade Costa das Baleias, materializada por meio do Arranjo de Desenvolvimento da Educação (ADE/BA Abrolhos) e do Programa Suzano de Educação (PSE). O percurso metodológico fundamenta-se em uma abordagem qualitativa, apoiando-se em dados primários, provenientes de questionário aplicado ao presidente do ADE Abrolhos, e em dados secundários obtidos por meio de revisão bibliográfica e análise documental, incluindo leis, decretos, pareceres, relatórios institucionais da empresa Suzano e materiais utilizados em processos formativos. O referencial teórico articula discussões acerca da reforma do Estado, das parcerias público-privadas impulsionadas pelo neoliberalismo, dos Arranjos de Desenvolvimento da Educação (ADE) e do processo de empresariamento da educação pública. Como resultado, identificam-se fortes indícios da intensificação do empresariamento da educação pública no território investigado, processo que contribui de maneira significativa para a redução da autonomia docente e interfere substancialmente nos rumos da educação pública. Observa-se que, no contexto analisado, a empresa Suzano assume papel diretivo nos processos pedagógicos e de gestão por meio do Programa Suzano de Educação. Adicionalmente, os resultados indicam que a educação na região do extremo sul tem sido instrumentalizada pela empresa Suzano S.A. como mecanismo ideológico, com vistas à incorporação, no imaginário de crianças e adolescentes, da concepção do agronegócio como agente central e legitimador da educação.
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