FORMAÇÃO DO GOVERNANTE NA BAIXA IDADE MÉDIA: reflexões sobre o livro da Virtuosa Benfeitoria na perspectiva da história da educação
DOI:
https://doi.org/10.24065/re.v16i1.3095Palavras-chave:
intelectual, Formação Humana, Governante, Bem comumResumo
O objetivo deste artigo é refletir sobre a formação do governante para o bom desenvolvimento de uma sociedade. O dirigente deve ser uma pessoa com formação intelectual e ética que possibilite agir visando ao bem de seus cidadãos e, no medievo, prover a benfeitoria aos seus súditos. Partindo dessa formulação, traz-se como fonte para o estudo O livro da Virtuosa Benfeitoria, de D. Pedro, Duque de Coimbra, dirigida a seu irmão D. Duarte, futuro rei de Portugal. Elaborado como espelho de príncipe para orientar o futuro rei sobre como deveria governar para promover o bem das pessoas e instituições, D. Pedro a escreve segundo o conhecimento medieval, seguindo os princípios da escolástica, fundamentando-se em Aristóteles e Tomás de Aquino. Para o autor, o governante e suas ações são tão importantes para o Estado como a cabeça o é para o corpo. O líder precisa ter uma formação que oriente as suas ações com vistas a atender os interesses do Outro, nunca privilegiando os seus particulares. A reflexão sobre a obra entende não se tratar simplesmente de estudar o passado, mas conhecer as ações dos homens de outros tempos para tirar proveito de suas ideias. Retomar um intelectual do passado e analisar seu projeto de governante não é uma tentativa de construir uma história total, mas considerar como as ações humanas se processam, como são delineados os projetos educativos e isso somente se torna possível por meio dos fundamentos teóricos da história social e dos conceitos de longa duração e memória.
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